Geraldo perde a compostura por medo da Polícia Federal. Por Diego Lagedo

O ex-prefeito do Recife e atual secretário do Governo de Pernambuco, Geraldo Julio (PSB), mostrou incômodo com as constantes cobranças de posicionamento do ex-ministro Mendonça Filho, que foi autor das denúncias contra o "Covidão do Recife" no TCU, MPF e CGU, que resultaram nas investigações da Polícia Federal na capital pernambucana. 


O líder oposicionista questiona o silêncio de Geraldo Julio quanto às investigações da Polícia Federal na sua gestão na PCR.


Além de não ter dado explicações sobre as sete operações da Polícia Federal na sua gestão e as 41 auditorias especiais do TCE no último ano da sua gestão, Geraldo quebrou o silêncio para fazer insinuações sem fundamento sobre o seu opositor e as empresas da sua família, além de avisá-lo de fazer "política rasteira". Não é preciso lembrar que Mendonça tem uma atuação política de mais de trinta anos e é ficha limpa. 


Mendonça tem cinco empresas, todas registradas, das quais nenhuma mantém contratos com o poder público. Sua família também não ocupa cargos públicos de forma patrimonialista, tendo todos suas profissões em suas áreas.


O que Geraldo não explicou é por que a sua gestão comprou respiradores hospitalares que só foram testados em porcos e não tinham aval da Anvisa, além de terem sido vendidos por uma empresa de fachada. 


Mas se gosta de analisar o patrimônio da família alheia, Geraldo poderia responder quem era o verdadeiro dono do avião de Eduardo Campos ou por que manteve Maria Eduarda Campos recebendo R$ 21 mil na Prefeitura do Recife, para não falar de todos os outros Campos, Arraes, Accioly e Andrade Lima que ocupam cargos na máquinas pública controlada pelo PSB em Pernambuco.


Geraldo também poderia responder de onde vem os volumosos recursos financeiros que abastecem as campanhas do PSB no Recife e no estado, já que coordenou algumas delas. Ele também poderia esclarecer o que acontece nas comunidades do Recife na véspera e no dia da eleição, que é de conhecimento de todo recifense. 


Mendonça é um político que atualmente não ocupa mandato eletivo, ainda assim, consegue exercer a mais forte oposição aos desmandos do PSB em Pernambuco e mostra coragem ao peitar o partido que ocupa o poder no estado. Pelo visto, está incomodando muito.


Para Geraldo Julio ter perdido a compostura dessa forma, a pressão dentro do PSB deve estar muito grande e o medo das investigações chegarem ao primeiro escalão deve ser enorme. 


No andar dessa carruagem, Geraldo não vai ser nem candidato em 2022.


Diego Lagedo é historiador e especialista em Gestão Pública. Foi consultor da UNESCO e é editor do site Pernambuco em Pauta.

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